domingo, outubro 04, 2026

Poesia ao domingo

 Outonal


Caem as folhas mortas sobre o lago;

Na penumbra outonal, não sei quem tece

As rendas do silêncio...Olha, anoitece!

- Brumas longínquas do País Vago...


Veludos a ondear...Mistério mago...

Encantamento...A hora que não esquece

A luz que a pouco e pouco desfalece.

Que lança em mim a bênção dum afago...


Outono dos crepúsculos doirados,

De púrpuras, damascos e brocados!

- Vestes a terra inteira de esplendor!


Outono das tardinhas silenciosas,

Das magníficas noites voluptuosas

Em que eu soluço a delirar de amor...


Florbela Espanca, in Charneca em Flor

16 comentários:

  1. Gostei do poema e obrigada pela partilha!
    Beijos e um bom dia

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  2. Bonito, bonito, bonito.
    Florbela Espanca, claro.
    Um abraço, Léo.

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  3. Florbela Espanca, grande poetisa!
    Nas minhas andanças por Alentejo, neste Verão, encontrei no
    Alojamento um livro quase uma antologia das obras dela.
    Tenho de procurá-lo nas livrarias, só que não me lembro do
    título.
    Abraço
    Olinda

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  4. A poesia de Florbela Espanca é marcada por uma intensidade passional que me cativou na adolescência, explorando temas como o amor, a solidão e o desejo com uma força melancólica e arrebatadora.

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    1. Florbela Espanca foi uma mulher que nasceu fora do seu tempo.
      Cultivou o soneto com mestria e ofereceu-nos uma alma atormentada e apaixonada.

      Abraço

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  5. Amar e ser amada, foi sempre o sonho desta alentejana poeta.
    Um sonho que toda a Mulher tem e poucas conseguem realizar.

    Abraço

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    1. Florbela Espanca viveu sempre atormentada pelos seus desejos de felicidade não atingida.

      Abraço

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  6. Há melancolia e um certo contentamento ou aceitação do que o outono a faz sentir.
    Gostei!

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    1. Chega a comprazer-se com os sentimentos antagónicos que sente entre uma natureza de tons magníficos e o seu sentimento de quase agonia.

      Abraço

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  7. Li este livro há décadas e foi bom encontrar aqui um poema de Florbela Espanca.

    Abraço, sonhos agradáveis.

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    1. Os sonetos de Florbela Espanca são de uma enorme sensibilidade!

      Abraço

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  8. Que pena Florbela não estar entre nós
    a escrever um soneto sobre este Outono
    onde as tais "tardinhas silenciosas"
    estão sendo infestadas por tristes murmúrios

    Abraço poético

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    1. Este Outono não está com bons prenúncios, tens razão!

      Abraço

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