quinta-feira, dezembro 13, 2012

Fundação Champalimaud

Hoje servi de taxista/acompanhante de uma familiar que se encontra bastante doente e é tratada na Fundação Champalimaud.
Fiquei siderada com a grandiosidade e funcionalidade das instalações, desde os corredores, às salas de espera, tudo com ar muito "clean", sofás muito confortáveis, em vários cantos carrinhos de apoio com bebidas quentes, sandes, bolos...nas mesas de apoio jornais e revistas.
A sala de tratamentos, onde os doentes têm total privacidade, cada recanto com uma televisão...que não ligámos, dá para um jardim interior cheio de palmeiras cujos troncos se iluminaram com o cair da noite, transformando aquele espaço num cenário de filme.
O pessoal é de uma enorme eficiência e gentileza e o tratamento, uma transfusão de sangue decorreu dentro da normalidade possível.
Mas não foi para vos falar desta fundação que decidi escrever.
Quando chegámos, a minha familiar disse na recepção que a enfermeira E. estava à sua espera, indicam-lhe o local onde ela estava e lá seguimos. Quando chegámos e ao vê-la de costas perguntei à funcionária que nos acompanhava se ela tinha vindo do HSM, a jovem disse  que não sabia, eu não resisti e chamei:
- Enfermeira E.!
Ela virou-se, corremos ao encontro uma da outra e abraçámo-nos com  lágrimas nos olhos!
A enfermeira E. tinha sido o anjo da guarda do meu filho mais velho durante os dezasseis meses que durou a doença que lhe roubou a vida há 8 anos!
Por estranha coincidência, foi no dia 13 de Dezembro de 2004 que ele ficou internado no HSM donde já não saiu com vida! 
Conversámos depois com um sorriso nos lábios, lembrámos o seu bom humor, a resistência à dor, a proximidade física e afectiva que havia entre os vários doentes que faziam tratamento numa sala diminuta, onde dois médicos e uma enfermeira se acotovelavam  e andavam numa roda viva. Acrescentou ainda que o serviço tinha sido transferido para outro hospital e que ela, prevendo estas alterações, tinha mandado o currículo para a fundação, entrando imediatamente.
Lembro-me vezes sem conta da enfermeira E., do seu lindo sorriso para todos, do doutor R. que agora está no Pulido Valente, depois duma vida inteira de entrega ao HSM e que tudo fizeram para aliviar o sofrimento do meu filho e de todos os que passaram por aquele serviço!
Fui muito além das minhas habituais reduzidas linhas mas para mim foi como se fosse uma história de Natal!
Agora a enfermeira E. é o anjo da guarda da minha familiar!

19 comentários:

redonda disse...

Bom que haja pessoas assim, como penso será a enfermeira E.(numa altura em que passei por uma perda, encontrar alguém assim ajudava-me a ter esperança e fé)
Espero que a familiar vá ficar melhor e completamente bem.
um beijinho grande
Gábi

Catarina disse...

Há coincidências... cujas razões desconhecemos..
Um grande abraço amigo.
Já tinha lido sobre essa fundação. Foi um bonito gesto do senhor Champalimaud... depois de tudo o que aconteceu.

Rogério Pereira disse...

Nem sei o que hei-de comentar
Teria tanto a discorrer, a falar... sobre o facto da Fundação respirar um saudável estar... sobre o facto do "seu anjo" ter passado do público para o privado...

Fico-me pelo lado humano, é bom haver anjos!


Nina disse...

Há anjos na Terra. Não podem fazer milagres, mas aliviam alguns momentos bem pesados.
Aquele abraço comovido

quem és, que fazes aqui? disse...


Os caminhos cruzam-se e nesse entrecruzar revivem-se lembranças.

Um beijinho especial e as melhoras (dentro do possível) da sua familiar.

Laura

Anónimo disse...

Há coincidências que nos emocionam muito....também já me tem acontecido.M.A.A.

JOÃO SENA disse...

Como eu te entendo! Só quem passa pelos corredores lisos onde se escorre o tempo e se atrasa a morte tem uma pálida ideia do que é a Vida!
Estive anos, muitos, na guerra. Vi tudo quanto tais teatros podem propicionar. Pensava que já tinha sentido quanto um ser humano pode aguentar. Mas a realidade da vida é imprescutável.
Guardamos e apagamos na memória e é essa grande capacidade que nos redime e faz acreditar ainda no Natal.
Para ti vai o meu abraço e os votos sinceros de um bom Natal.

Rui da Bica disse...

Isso foi mais que uma boa "prenda de Natal" ...
Não acredito em milagres ou coincidências, mas uma coisa dessas, nesta quadra, deve ter sido qualquer coisa de "muito especial" !
Comoveu-me deveras, Rosa !... Podes crer que tive dificuldade em ler o resto do post !

Abraço !
.

Anónimo disse...

Deus não dorme e serve-se de pequenas coisas para nos abanar,fico feliz consigo . Fina

Humana disse...

Rosa dos Ventos.
é bom saber que há quem dignifique a sua profissão, sobretudo nesta área em que o calor humano é tão importante, e se entregue a ela de coração inteiro.

um abraço, rosinha. e obrigada por teres partilhado connosco essa história, as doces e tristes memórias a ela ligadas.

O Puma disse...

Há pedras com vida por dentro

Dalma disse...

A fundação Champalimaud é realmente uma fundação pois vive do que lhe legou um Homem generoso!
As melhoras de quem acompanhou.

Teté disse...

Uma história de Natal comovente! Mas facto é que há profissionais de saúde a quem nunca podemos agradecer o bastante... Que cuide o melhor possível da tua familiar, é o que desejo!

Abraço!

São disse...

Amiga, é bom saber que nos momentos de aflição(ainda) existem anjos da guarda!

Um abraço com carinho e o desejo de que a familiar melhore rapidamente.

Anónimo disse...

Só agora li o teu post.Para além de me desfazer em lágrimas ,(eu que as sentia dolorosamente secas há tanto tempo),leva-me a pensar que isto de coincidências tem muito para pensar.
Grande abraço Kinkas

Graça Sampaio disse...

As coincidências não existem. Existem anjos na Terra. Que aparecem quando são precisos.

Beijos muito comovidos.

Lídia Borges disse...


Temos de acreditar que os anjos andam no meio de nós.

É um belo conto de Natal, sim!

Bjs...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Há coincidências que nos merecem muita reflexão. Esta parece-me ser uma delas. Teria muito a dizer, mas não caberia na caixa de comentários. Talvez venha a escrever um post sobre o assunto. Uma delas - que me parece bastante importante- é sobre as causas que terão levado a enfermeira E a trocar o público pelo privado. É que há escolhas que prenunciam o futuro. E a da enfermeira, prenuncia o que será o SNS dentro de algum tempo.
Um excelente domingo para si.

Rosa dos Ventos disse...

Este post teve como objectivo relatar o feliz e emocionado encontro com a enfermeira E., num dia com um especial significado para mim.
A Fundação Champalimaud foi apenas o cenário onde isso aconteceu...
Penso que toda a gente entendeu isso, independentemente de todas as outras leituras que possam ter sido feitas mas que não estavam no meu propósito!


Abraço