segunda-feira, setembro 26, 2011

Tempo de vindimas

(imagem da net)

Mais uma vez o lagar de uvas que foi do meu bisavô paterno, depois do meu avô, a seguir do meu pai e agora da minha irmã e meu vai estar a laborar para esta vindima.
Desde o tempo do meu pai que as uvas já não são da família mas fazemos questão de o continuar a emprestar a quem o peça, tal como ele fazia.
Em contrapartida o utilizador vai varejar-nos a nogueira que se encontra no quintal da Casa dos Penedos como é conhecida a casa que tem o único lagar que, na vila onde nasci, ainda  funciona todos os anos desde talvez meados do século XIX.

Vindima


Mosto, descantes e um rumor de passos
Na terra recalcada dos vinhedos.
Um fermentar de forças e cansaços
Em altas confidências e segredos.


Laivos de sangue nos poentes baços.
Doçura quente em corações azedos.
E, sobretudo, pés, olhos e braços
Alegres como peças de brinquedos.


Fim de parto ou de vida, ninguém sabe
A medida precisa que lhe cabe
No tempo, na alegria e na tristeza.


Rasgam-se os véus do sonho e da desgraça.
Ergue-se em cheio a taça
À própria confusão da natureza.


Miguel Torga

31 comentários:

trepadeira disse...

Como este ano só vou fazer o "bravo" ainda é um pouco cedo,lá a partir da meada do mês.
Uso o "mastragador" mas,depois,também lá vou,dizem que faz bem ao reumático.

Um abraço,
mário

Nina disse...

O nosso já não enche assim, desde que o meu pai decidiu arrancar uma vinha. As uvas da minha terra não são especiais como as do Douro, por isso o vinho não é tão bom.
Mas é gira a época das vindimas.:)

beijinhos

Nina disse...

Torga sabia bem do que falava:))

São disse...

Torga sempre telúrico.

Experimentei uma vez pisar uvas, mas desisti, rrss

Boa semana

Flor de Jasmim disse...

Rosa
Que saudades que eu tenho de pisar uvas, desde muito pequenin que o fiz em casa do meu pai até ele partir, fazia-o também em casa do meu sogro, mas hoje já nem videiras existem.
Beijinho

Rui Pascoal disse...

Eu era "um menino da cidade", nunca pisei uvas mas vi fazê-lo. Recordo a espuma, os cheiros fortes e as vozes alegres. Era uma festa.
:)

Pitanga Doce disse...

E eu que ainda achava que ia para as vindimas...

Justine disse...

Tão boas, essas raízes familiares que nos agarram à terra. Assim como o Torga...
Comovente o teu post, por aquilo que me traz à memória: também em casa de meu pai havia um lagar, e este era tempo de festa e solidariedade.

Maria disse...

Trouxeste-me memórias várias.
Tenho saudades da uvada que a minha avó fazia...

Turista disse...

Querida Rosa, em casa dos meus avós maternos ainda existe o lagar e toda a parafernália das vindimas, também. Mas agora já ninguém o utiliza, contrariamente à tua Casa dos Penedos.

carol disse...

As belas cenas idílicas e bucólicas... (que a mim nada me dizem...)

Boa vindima!

Luis Eme disse...

que saudades tenho do lagar que foi do meu avô e passou para o meu pai e onde fizemos tantas pipas de vinho...

ainda lá está, fechado, mas já não é da família, foi vendido à paróquia...

abraço Rosa

tulipa disse...

É tempo de vindimas
só se fala nisso...
excelente escolha
Parabéns
Obrigado pela partilha

apesar dos pesares
vale sempre a pena
sair, viajar
ausentar-me
...por tudo...
pela lufada de ar fresco
pela brisa de outras paragens

daí...
vem
vem ver com os teus olhos
mais imagens da minha viagem
...
clica nas imagens
para veres em tamanho grande
tens logo outra visão...

aguardo a tua opinião

uma boa semana
um beijinho meu

maria disse...

Nunca pisei uvas, é o que dá ser menina da cidade, mas deve ser engraçado :)

Beijinho :)

Olinda Melo disse...

Eu também nunca pisei uvas.Fico perplexa perante a imagem.
Talvez por isso, a época das vindimas sempre me intrigou...
Lindo poema de Miguel Torga.

Beijo
Olinda

mlu disse...

Pisei uvas, em pequena e quase por brincadeira, no lagar de um tio. Amanhã vou começar a ajudar na vindima grande de uns amigos mas já não se pisam as uvas!:(( Mesmo assim, são sempre 5 ou 6 dias bem divertidos!
Torga? Sempre!

Um abraço

Anónimo disse...

Cara Rosa
De lagares (azeite e ou uvas) guardo lembranças do vinho que era
fermentado ou armazenado (?)em piparotes esfregados interiormente com maçã assada.Dava um vinho ,para a família ,que ,segundo ouvi,nunca foi ultrapassado por qualquer outro , Vaidades do brazão da família,certamente...
O tempo levou as vinhas,os olivais e fiquei eu qual figo bichoso que nem dei para uma aguardentezinha
Falta dizer que ,no que toca a azeites ou pingas,se paasava na zona de TOMAR.rigens da família paterna... Abraço Kinkas

Parole disse...

Nostalgia, vinho e poesia.Deliciosa mistura.


Beijos

rouxinol de Bernardim disse...

Bonito texto e o poema é apropriado... não conhecia...

Rui da Bica disse...

Eu tinha um sogro que gostava de ter pouco mas bom vinho. Ele fazia questão de considerar que "o seu vinho" fosse o melhor que havia na região !
Já a minha sogra pensava de outra maneira e pela calada da noite ia ao lagar acrescentar uma boa dose de água ! :))
Os meus filhos em miúdos gostavam mesmo de beber aquele vinho tão docinho da avozinha !
... Pudera ! ... "o vinho da avozinha" não podia fazer mal a ninguém ! ehehehe
O que nos ríamos com esta situação completamente alheia ao meu sogro ! :)))
.

Lilá(s) disse...

raros esses lagares não? uma tradição dificil de preservar em breve só em contos...
Bjs

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Ainda hoje, ao almoço, falava com um amigo sobre as saudades que ambos temos das vindimas e do lugar insubstituível que elas ocupam no nosso imaginário juvenil.

Catarina disse...

Nunca assisti a uma vindima. Que me recorde nunca estive num lagar. Que experiências tenho perdido! Mas para ser positiva, lá terei vivenciado outras... : )
Abraço

Tite disse...

Só falta o coro final

Hip, hip, hurra!
ou
Tchim, tchim?

à saúde de todos os que colhem as uvas, as pisam, as curtem e... as bebem.

Chuac vinhateiro

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Rosinhamiga

Quando puto, andei nas vindimas, pisei uvas no lagar, pois era o morgadinho da Senhora Dona Etelvina Ferreira, minha tia-avó, solteirona militante no Vale de Santarém onde era uma abastada proprietário. Cinco vinhas na lezíria. E mais...

Entretanto

Acabei de publicar na nossa Travessa um testículo com x, INTERDITO a Senhoras, menores e até cavalheiros da mais esmerada educação. É um tanto brejeiro e pode ferir a susceptibilidade ou até mesmo o pudor de quem se atreva-la a lê-lo. Intitula-se A garrafa e os copos. Dele me permito transcrever um passo dos mais inocentes.

“Ela, muda e febril, deixou-se levar, estendeu-se na cama, ele perguntou-lhe posso pôr-lhe o instrumento, refiro-me, claro, ao termómetro, no sovaco? Nata, sem uma palavra, desatou o nó do cinto do roupão, abriu-o um pouco, a camisa de noite não ocultava nada, quando ele se inclinou para tirar a temperatura, os bicos dos seios fugiam da prisão diáfana.”

Repito o alerta: é IMPRÓPRIO para consumo. Depois, não digam tu e a tua malta que não avisei.

Qjs

PEDIDO: sff manda-me o teu imeile para o meu hantferreira@gmail.com Obrigado

Evanir disse...

Eu agradeço sua visita
A vida sempre une as pessoas no momento certo.
Que eu seja digna da sua amizade.
Nos momentos de aflição dividirmos nossas dores e pensamento
Que seu sonho e os meu sonhos seja abençoado por Deus.
Com nossa amizade e união possamos alcançar as estrelas.
De mãos dadas não terei medo da estrada a ser percorrida.
A minha fé iluminara nossos caminhos ,
E assim juntos seguirmos até onde existir vida.
Uma noite abençoada .
Deus abençoe seu carinho.
Bjs no coração.
Evanir

Isa GT disse...

Ainda me lembro do meu avô e do meu pai fazerem assim o vinho... agora nickes... só se... eu plantasse umas videiras na sala lol
O mais engraçado é que quando eu era miúda e via aquele pisar de uvas com os pés, ficava satisfeita por não gostar de vinho ;)

Bjos

tsiwari disse...

A troca de favores (o uso do lagar pelo varejar da nogueira) é o que mais me enternece neste post.


:)*

Rosa dos Ventos disse...

Caro Tsiwari

O meu pai herdou a casa do lagar mas não herdou as vinhas que entretanto os meus tios abandonaram.
Enquanto foi vivo e emprestou o lagar recebia em troca um garrafão de vinho!
Nós prescindimos do vinho mas não prescindimos do varejar das nozes!

Abraço

Ver de Vida disse...

Sou um Biólogo e Professor Brasileiro. Percorro páginas diversas para divulgar o Ver de Vida, dedicado à causa ambiental.

Parabéns pela página sensível e múltipla.

Felicidade nesta sua bela jornada.

Cláudio J. Gontijo

Vieira Calado disse...

devo ter lido este poema há muito tempo.
Obrigado por relembrá-lo.

Bjsss