quarta-feira, dezembro 16, 2009

A Neve

A neve pôs uma toalha calada sobre a tudo,
Não se sente senão o que se passa dentro de casa.
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar
Sinto um gozo animal e vagamento penso,
E adormeço sem menos utilidade que todas as acções do mundo.

Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos

15 comentários:

legivel disse...

É branca
como a neve
a Isabelinha
o seu coração
não ferve
de paixão
coitadinha.

Uma consultora de beleza, sugeriu-lhe que comprasse um baton vermelho-vivo (vermelho-defunto só serviria para piorar as coisas, acrescentou) e um vestido negro, bem justo. Ela assim fez e o resultado viu-se: a pele branca, os lábios vermelhos e o vestido negro a moldar-lhe o corpo eram o contraste perfeito e ninguém lhe negava elogios quando antes nem davam pela sua presença.
..................

À Isabelinha, a boneca de neve feita pelos homens da aldeia, não se futurava muito tempo de vida.

Abraço e sorriso gelado.

JPD disse...

Muito frio, ontem; esta noite está uma temperatura amena, surpreendentemente amena.

Copenhaga...

Saudações

Bartolomeu disse...

Só sinto ciúme desse cobertor que te abraça...

Si disse...

E a neve cai, também naquele local tão longe que queríamos tanto que fosse mais perto... ;)

Alberto David disse...

Desculpa cara Rosa dos Ventos, este será sempre o meu poema sobre a Neve.

Boas Festas, tudo de Bom, é uma quadra em que normalmente deixo cair algumas lágrimas sinceras.

Balada de Neve
Posted Junho 2, 2006
Filed under: Augusto Gil |

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.

Augusto Gil

Dina disse...

Neve...há quantos anos a não vejo...e que saudades deus meu!!
Gosto de neve...

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Nunca vi neve de perto, mas dá um cenário lindo.Beijos e ótimo final de semana

Rosa dos Ventos disse...

Tenho uma história nevada que talvez a chegue a contar se cá nevar! :-))
Claro que a Balada da Neve é o poema da neve por excelência...
A estas horas a Isabelinha já derreteu, Legível sempre original?

Peço desculpa pela gralha existente no 1º verso.

Abraço

Tite disse...

Poesia de Caeiro é sempre... Fernando Pessoa e está tudo dito.

Pergunto, o frio aí é tanto que sentiste necessidade de invocar o poeta?

beijossssss

___________________Paz
__________________União
_________________Alegrias
________________Esperanças
_______________Amor.Sucesso
______________Realizações★Luz
_____________Respeito★harmonia
____________Saúde★..solidariedade
___________Felicidade★...Humildade
__________Confraternização★..Pureza
_________Amizade★Sabedoria★.Perdão
________Igualdade★Liberdade.Boa-.sorte
_______Sinceridade★Estima★.Fraternidade
______Equilíbrio★Dignidade★..Benevolência
_____Fé★Bondade_Paciência.★.Gratidão_Força
____Tenacidade★Prosperidade★.Reconhecimento
(¨`•.•´¨). ×`•.¸.•´× (¨`•.•´¨). ×`•.¸.•´×(¨`•.•´¨)
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Anónimo disse...

Tal como o Poeta,embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
Kinkas

Duarte disse...

Como não... tive que recordar ao bom do José Amador, lá no Infante, que nos obrigou a aprender e a recitar a Balada da neve de Augusto Gil. Quanta beleza naquele poema!
Também gostei deste.

Um grande abraço

Pitanga Doce disse...

Ai que esta neve aqui derretia antes de acabar de dizer a palavra.

Como dizia a mulher da novela:"Jesus, me abana"!

bom dia Rosa

goiaba disse...

Espero que a apresentação na festa de Natal corra ou enha corrido bem.
BOM NATAL!
Abraço

Luis Eme disse...

o poeta não gostava de fazer bonecos de neve, apenas bonecos de palavras...

abraço Rosa

Arabica disse...

Rosa,

gela a neve o nosso corpo,
não consegue ainda assim,
congelar tudo o resto
que somos.
Que sempre seremos.

Um abraço, nesta quadra, como o abraço fora de quadra ou de verso.
Muito amor e paz.


PS- Lá vamos nós pôr de novo o avental de pano cru:) e cansarmos-nos até cairmos para o lado. :) Se bem me lembro tu caíras aos pés da lareira e eu, coitadinha, mulher de cidade, aos pés de um calorifero ranhoso que faz barulho de ventoínha e deita cheiro a poeira. :))