quarta-feira, março 05, 2014

Poema de quarta feira de cinzas

( imagem da net)



Entre a turba grosseira e fútil
Um pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
feita de sonho e de desgraça...

O seu delírio manso agrupa
atrás dele os maus e os basbaques.
Este o indigita, este outro apupa...
indiferente a tais ataques,

Nublada a vista em pranto inútil,
Dolorosamente ele passa.
Veste-o uma túnica inconsútil,
feita de sonho e de desgraça...

Manuel Bandeira

23 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Não conhecia. Gostei!

ematejoca disse...

Como eu faço parte da turba grosseira e fútil, este poema tem "desgraça" a mais para o meu gosto!!!

Abraço e um último HELAU!

Rui Pascoal disse...

Depois do Carnaval vem o Mundial e "este circo" não pode parar.
Palhaços!...

Laços e Rendas de Nós disse...


Dentro de um palhaço há sempre cinzas, que só ele vê no riso dos outros.

Beijinho

(deixei no post anterior a resposta. :) )

Rosa dos Ventos disse...

É quarta feira de cinzas, Ematejoca!
Apenas assinalo a data com um tema alusivo à mesma!
Não penses que sou uma maníaca-depressiva! :)
A túnica também é feita de sonho! :)

Abraço

ematejoca disse...

Claro que não te considero uma maníaca-depressiva, minha querida amiga.

A felicidade é aproveitar as coisas simples da vida: depois do Carnaval vem aí o Mundial.

Eu aproveito o instante que passa, que a vida é muito curta.

Abraço da eterna palhaça!!!

lis disse...

Gosto dessa alegria passageira!
Vale conferir e se contagiar,
Manuel Bandeira que me desculpe mas sonhos são sonhos ... rs
abraço Rosa

Maria disse...

Assinalar a quarta feira de cinzas com Manuel Bandeira e o seu poema faz sentido...o Pierrot é um personagem com grande duplicidade onde a tristeza intrínseca contrasta com os ambientes carnavalescos em que por vezes é inserido!!! Gosto mais dele na sua versão romântica suspirando por Columbina:))
Beijinhos
Maria

Mar Arável disse...

Um belo sopro nas cinzas

Carpe diem to me disse...

Belas palavras! Gostei :)

Graça Sampaio disse...

Por isso nunca gostei de palhaços! Fazem-me um certa tristeza - marcas da primeira infância que não vale a pena aqui desfiar...

E, no entanto, hélas! Sou forçada a conviver com os ditos que enxameiam S. Bento e Belém...

Beijinhos

Majo disse...

~
~ Um poema bem adequado ao dia e à época que vivemos.

~ Temos mais razóes para homenagear Pierrot do que Arlequim.

~ Mas, fora com as cinzas! Ponhamo-las ao vento norte! Bem frio, o desmancha prazeres! Foi um sol maravilhoso com uma desagradabílissima sensação térmica!

~ Amanhã será outro dia!

~ ~ ~ A b r a ç o. ~ ~ ~

Catarina disse...

Não gosto de pensar em palhaços tristes!

Flor de Jasmim disse...

Conheci 3 palhaços que andavam sempre numa tristeza enorme, pois eles eram muito infelizes.
Não gosto do Carnaval, de seguida vem o Mundial e as atenções são desviadas, parte do povo mantem-se ocupado e os palhaços que nos sugam vão continuando a não perder tempo.

Gostei do poema, não conhecia.

beijinho e uma flor

Teté disse...

Gosto da imagem. O poema condiz, embora ainda tenha de ir ver o que significa inconsútil... ;)

Abraço

Pedro Coimbra disse...

Fez-me lembrar Vsti la Giúba da ópera os Palhaços

Pitanga Doce disse...

Posso fazer o contra ponto? Por aqui os pierrots ainda dormem nas areias da praia, na sua ressaca carnavalesca.

Olha Rosa! Isto aqui no Ventanias está assim pro escuro. Chama aí a Primavera e põe cor à tua volta.

"Um pierrot apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando".

beijos pitangueiros

Rosa dos Ventos disse...

Pitanguinha
Por aqui o sol brilha, talvez comece a pensar em mudar de cenário!
Realmente está para o sombrio!

Abraço

São disse...

Boa e triste metáfora para o estado actual do nosso país!

Abraço de matar saudades

Catarina disse...

Ainda bem que li o comentário da Teté! É que também ia consultar o dicionário e depois esqueci-me! Fi-lo agora. Não conhecia o termo.

Justine disse...

Tão triste! Tanta tristeza no meio do carnaval...

mmm´s disse...

Poema cinzento...

mlu disse...

Não conhecia o poema. É triste mas acho-o lindo. Tantas vezes, de acordo com o sentir do palhaço!


Um abraço