domingo, fevereiro 08, 2009

Viagem

O beijo da quilha

na boca da água

me vai trocando entre céu e mar,

enquanto

na funda transparência

sinto a vertigem

da minha própria origem

e nem sequer já sei

que olhos são os meus

e em que água se naufraga a minha alma





Se chorasse, agora,

o mar inteiro

me entraria pelos olhos.





Mia Couto


Nota: Gosto de Mia Couto como prosador, não o conhecia como poeta e fiquei encantada com esta Viagem.
A imagem é da Net.







.

15 comentários:

Justine disse...

Também não lhe conhecia os dotes poéticos, embora os textos dele sejam todos poéticos...
Grande escritor este homem é!
Obrigada e um beijinho

Maria P. disse...

Que maravilha, também desconhecia.

Beijinho*

Maria disse...

Eu peço desculpa, mas já conhecia a poesia do Mia...
E gosto dele tanto em prosa como em poesia, é intenso!
A foto foi muito bem escolhida, Rosa.

Um abraço

Oris disse...

Que poesia linda...

Não sabia que escrevia poesia também.

Boa semana, Rosa.

Beijitos

Apple disse...

Cara Rosa,

"abriu-me" o apetite para as letras de Mia Couto :)

Obrigada!

Bartolomeu disse...

Pois olha Rosinha, entre a imagem e o poema...
Sim, claro, o poema reduz-nos à dimensão humana, metaforizada (não sei onde fui desencantar este termo)pela intercepção do homem entre o mar e o céu, a imagem do veleiro, para lém de realizar a metáfora... desafia os elementos, ou seja, reflecte a complitude humana.
Afinal é para isso que por cá andamos... lutar contra eles, para que possam ser reais.
;)))

lgb disse...

Grande Mia Couto! Um dos meus preferidos...

Roderick disse...

Adoro Mia Couto!!!

NOBITA disse...

Não me admira que Mia Couto fizesse poesia, é um escritor fantástico, onde a escrita flui, por isso chega à poesia.
Sabes só quando for de férias é que deixo de me lamentar, prá já tenho autorização para gozar uma semana na segunda semana de Março, agora tenho que escolher o hotel e depois é só marcar, ando a fazer contas, mas quase certo que vou. Eu quero muito ir, eu preciso.
Beijos

Arabica disse...

Rosa,

vénia a Mia Couto que de tantas formas (prosa, poesia, discursos, cartas)dá voz a tantos pensamentos e sentimentos que também partilho.

Uma escrita de carne e de sonho.

Vénia também para ti que aqui tão bem o documentas.

Fazer frente às ondas.

Vamos nessa :)

Um beijo e uma boa semana para ti, que eu estou de mochila às costas em busca de verdes e cabras e cheiros a lenhas :)

*flor* disse...

Já conhecia o poema e realmente é muito bonito*

=)

goiaba disse...

Achava que conhecia bem Mia Couto mas nunca tinha lido poesia. Vou procurar encontrar alguma coisa publicada. Para além de um escritor especial é um ser humano excepcional e corajoso.
Obrigada.

Rosa dos Ventos disse...

Cara Goiaba
Com a mudança de computador perdi alguns blogues e não consigo entrar neles.
O teu é um deles!
Obrigada pelas visitas!

Abraço

Rosa dos Ventos disse...

Caros amigos virtuais e não só

Como diz a Justine quase toda a prosa de Mia Couto é poética, mas a mancha gráfica, o ritmo , a linha melódica e a rima é que eu não conhecia.
Vou mesmo procurar mais, como dizem alguns visitantes.
Este poema encontrei-o no livro que veio como oferta no 1.000º exemplar de Jornal de Letras.


Abraço

pin gente disse...

muito bonita, rosa.
associo mia couta a palavras ternurentas e do fundo da alma.

beijo