quarta-feira, janeiro 09, 2019

A carteira do meu pai

Contava o meu pai que, miúdo de dez, onze anos, andou durante largos meses a juntar todos os tostões que ia recebendo para comprar uma carteira.
A Feira da Santa Ana, em Julho, o grande evento da aldeia, seria como sopa no mel para  o seu objectivo se concretizar.
 Finalmente chegou a data tão ansiada e, logo de manhã, dirigiu-se ao largo onde os feirantes tinham montado as suas barracas que mostravam no seu colorido e diversidade todo o tipo de ofertas que atraiam centenas de forasteiros deslumbrados com tanta escolha. Uma feira de aldeia há 100 anos era como um centro comercial actualmente.
Depois de ter dado várias voltas pelas barracas para comparar preços e qualidade, acabou por se decidir por aquela que mais lhe agradou.
Voltou feliz para casa com a sua aquisição que mostrou, orgulhoso, aos pais e irmãos.
Só ao fim do dia é que caiu em sim quando constatou que tinha carteira mas não tinha dinheiro.
E terminava a história com uma enorme gargalhada!
Recebi este Natal uma bela carteira, daquelas que têm espaços para tudo, cartões, documentos, notas, moedas, calendários, fotos, etc..
Enquanto enchia a minha nova carteira, lembrei-me da carteira vazia do meu pai e sorri ao ouvir a sua gargalhada!

13 comentários:

Manuel Veiga disse...

mais vale uma boa gargalhada, de facto...
mas se possível com carteira cheia!

abraço

Catarina disse...

Uma boa recordação!
:)

Ulisses de Carvalho disse...

Juntando tostões para comprar algo que usamos para guardar tostões, teu pai, suponho, é alguém obstinado, e agora te deixou uma boa lembrança. Abraço.

Janita disse...

É com estas deliciosas recordações que vamos alegrando os nossos dias mais cinzentos, Leo!
Não imaginas o bem que este teu texto me fez.
Como diz o provérbio: "Vale mais um gosto do que dez vinténs"!! :)
Realizar um sonho é tudo o que há de melhor na vida.

Um beijinho grande.

Rogerio G. V. Pereira disse...

100 anos depois
eu e seu pai
já seriamos dois

quando hoje olhei para o saldo do banco
gargalhei: "Olha, tanto!"

Claro que não é zero
mas não chega
para comprar... uma nova carteira

ematejoca disse...

Memórias de infância é um tema muito grato.

Luis Eme disse...

E lembraste-te bem.:)

abraço Rosa

Larissa Santos disse...

Recordações que nos enchem a alma :))

O nosso amigo Gil António, diz :- Amar-te na tua essência de mulher

Bjos
Votos de uma óptima Quinta - Feira

Rui disse...

ahahah... Deixaste-me com um bom sorriso, Leo ! :))
Que belíssima e encantadora memória da infância ! :)

Lembro-me do meu orgulho quando tive a primeira carteira (como os homens !!! ) eheheh... Não me recordo o que tinha para lá meter, mas a sensação foi óptima !
Sabes que, quando os meus netos eram miúdos eu preferia dar-lhes notas de 5 euros (várias) a uma nota "maior". Eles sentia-se mais "endinheirados" ! eheheh

Abraço

Dalma disse...

Tb me lembro de quando éramos pequenas a minha avó nos dar todos os domingos 2$50, que íamos amealhando... na altura não havia tantos chamamentos para se gastar!

São disse...

Teu pai era como o meu : lutava para concretizar os sonhos e tinha sentido de humor, prova de inteligência.


Beijinhoss

tulipa disse...


Um post de boas lembranças
Obrigada pela partilha

Muito grata pela tua visita ao meu blog.
HOJE fiz um post novo
se quiseres ver, aqui está:
http://meusmomentosimples.blogspot.com/

Para ti e Família, Rosa um excelente ano com saúde!

ANO NOVO, VIDA NOVA
e, decidi que iria todos os dias fazer uma caminhada de 25 minutos
Ora pois, eu até fiz 3 ou 4
e fiquei de cama com uma faringite,
ainda hoje estou sem voz, dores de garganta, chiadeira nos brônquios,
porque...está muito frio.
Não dá para continuar pelo menos para já...

Bjs da Tulipa

Titica Deia disse...

É por isso que as relações humanas são tão necessárias, as histórias ficam para sempre, a carteira nem por isso...

Adorei a partilha...