Com tantas obras lidas de José Saramago "Levantado do Chão" foi-me ficando para trás.
Até que neste aniversário o recebi como presente, comprado num alfarrabista e, por isso, com direito a uma 3a edição .
O romance, publicado em 1980, percorre uma zona do Alentejo bem demarcada, caracterizada pelo latifúndio, desde o final do séc. XIX, ainda na monarquia, até ao período pós-Revolução do 25 de Abril, com a ocupação de herdades, numa marcha onde até os mortos estão presentes, metaforicamente.
É o retrato de um povo e da sua luta contra séculos de opressão e de desigualdade social, assentes numa espécie de trilogia - a Igreja, representada pelo padre Agamedes, o latifúndio nas mãos dos donos da terra e o Estado representado pela guarda, ao serviço do latifúndio.
Mas do que mais gostei foi do seu narrador omnisciente e omnipresente, que opina sobra os factos, os pensamentos das personagens, dando-se até ao luxo de dialogar com as mesmas e com o narratário (leitor), revelando , por vezes, de forma humorística o evoluir dos acontecimentos.
Fiquei fascinada com esta narrativa e ao mesmo tempo emocionada com esta luta tão justa por parte dos homens e mulheres do latifúndio, como o narrador os nomeia.