sábado, agosto 01, 2020

A Caverna

Não lia nada de José Saramago há muito, daí que tivesse decidido fazer

deste livro o 7º lido desde o início da pandemia e, como sempre, não me arrependi.
Ler o nosso Nobel é um excelente exercício para o ritmo da mente, sim a mente também tem ritmo.
Desta vez, o autor/narrador apresentou-nos um autêntico tratado de olaria desde o amassar do barro até à pintura final do artesanato concluído e ainda um outro tratado de psicologia das relações humanas dentro das famílias e da "psicologia" canina.
Teve ainda a arte de introduzir o nascimento de um amor tardio.
Tudo isto bem amassado deu como resultado um romance-metáfora que nos faz pensar no que vale a pena na vida ou não.

" Marta e Isaura escolheram o que acharam necessário para uma viagem que não tem destino conhecido e que não se sabe como nem onde terminará."

" A furgoneta fez a manobra e desceu a ladeira. Marta chorava com os olhos secos, Isaura abraçava-a, enquanto Achado se enroscava a um canto do assento sem saber a quem acudir."

E assim, sem destino, mas prontos a não se vergarem às contingências da vida e do mercado que encerrou a olaria e tirou as ilusões a um jovem casal que não quer viver numa gaiola dourada, partem Cipriano Algor, o oleiro sem olaria, o seu novo amor, Isaura Madruga, a sua filha Marta, o marido Marçal e ainda o cão Achado.

8 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

«Cipriano Algor tinha as mãos a tremer, olhava em redor, perplexo, a pedir ajuda, mas só leu desinteresse nas caras dos três condutores que haviam chegado depois dele. Apesar disso, tentou apelar à solidariedade de classe. Vejam esta situação, um homem traz aqui o produto do seu trabalho, cavou o barro, amassou-o, modelou a louça que o encomendaram, cozeu-a no forno, e agora dizem-lhe que só ficam com a metade do que fez e que lhe vão devolver o que está no armazém, quero saber se há justiça neste procedimento.»

José Saramago, in "A Caverna", pág. 22-23

https://youtu.be/3A_xm6upZ1c

" R y k @ r d o " disse...

Bom dia:- Acredito que seja um livro muito bom de ler
.
Bom fim-de-semana
Abraço

Janita disse...

Folgo em saber que a leitura desse livro de Saramago que, - pela descrição feita, - para mim seria maçudo, te amenizou os dias de pandemia.

Um abraço e boa leituras.

Catarina disse...

A leitura desse livro apaziguou alguns momentos mais preocupantes. Só por isso valeu a pena, para além, evidentemente, de gostares desse autor.

Justine disse...

Fiquei com vontade de reler A Caverna, o livro a cuja génese assisti...

São disse...

Gosto de ler Saramago e gostei ainda mais de o conhecer pessoalmente


Beijinho, bom Agosto

O meu pensamento viaja disse...

Li há tempos e, como sempre, com paixão.

redonda disse...

Não o li, mas gostaria de ler. Está na minha lista