Tem cortinas, tem móveis, tem quadros, tem tapetes, tem sofás mas não tem vida a casa do lado.
Partiu há uns meses o seu último morador, muito tempo depois da sua companheira.
Durante mais de 45 anos conversámos debruçados sobre o muro, trocámos figos por ameixas, pêssegos por nozes, entre outras coisas e pelo muro treparam durante a infância cinco crianças, duas de cá, três de lá numa contínua partilha de brincadeiras, lanches, idas e vindas do colégio, passeios e mais tarde férias, um de cá, outro de lá.
O jardim teima em mostrar-se como era, a laranjeira está coberta de frutos luminosos, o quintalinho está revestido de um verdejante manto.
Só o festão que ornamenta o portãozinho do jardim esbraceja as suas guias de rosas de Santa Teresinha, num protesto solitário de quem não tem onde se agarrar.
Antes de mais, feliz por ver um novo post, o que significará que já estão ultrapassados aqueles tais problemas.
ResponderEliminarDepois, expressar a minha tristeza pelo que contas ! Sei bem o que representa passarmos tantos anos de paredes meias, ver os filhos de ambos os lados crescerem, a amizade mútua, quase familiar e por vezes até mais que isso, que se foi consolidando ao longo dos tempos, até que chega esta altura em que tudo se esfuma e pior que tudo, ficam as recordações (que tanto nos magoam), de tantos momentos inesquecíveis . :((
Um grande abraço, Leo .
Belo retrato do vazio, do abandono, da solidão...
ResponderEliminarabraço Rosa
E assim se vão esvaziando casas e vidas...
ResponderEliminarÉ tão triste que a passagem do tempo traga tanto vazio, solidão
e a tristeza de quem viveu de perto com quem partiu.
Como esta que se sente neste teu bonito texto.
Um forte abraço, Leo!
Triste que seja assim e muito bonita a forma como está escrito
ResponderEliminarum beijinho
Bom dia- A solidão e o abandono são sempre tristes.
ResponderEliminar.
* Sou folha escrita em poesia apagada *
.
Abraço de amizade.
Terás outros vizinhos mais tarde ou mais cedo. Mas as boas recordações dos anteriores ficarão...
ResponderEliminarA casa do lado
ResponderEliminaré (ainda assim) um belo quadro
porque
"somos a memória que temos"
(apesar das partidas
que vão doendo)
RV, infelizmente é o que acontece muitas vezes! Quando ando pelo meu jardim, cortando aqui e ali, arrancando uma folha mais amarela, sobressalto-me ao pensar o que acontecerá ao meu pequeno “paraíso”... de repente vejo-o cheio de ervas, os arbustos a perderem a sua forma redonda, a cameleira a esbracejar tal como fala das rosa de Stª Teresinha do portão da sua vizinha!
ResponderEliminarDalma
Um texto melancólico que me trouxe á memória o nosso querido amigo Carlos, e especialmente a nossa querida amiga 🌻 Teté.
ResponderEliminarBeijinho 😘 desejando-te uma boa noite.
Com o meu abandono da blogosfera não consegui saber quem era a Teté, ontem cliquei no Quiproquo e fiquei extremamente chocada.
EliminarComo eu gostava das suas postagens!
Abraço
Bonito texto.
ResponderEliminarÉ sempre penosa a partida, de alguém. Por isso temos que viver plenamente. E guardar boas memórias:))
Bom fim-de-semana:))
Sempre triste isso. Me fez lembrar de uma senhora solitária, bem idosa, um dia foi achada morta na cama, rodeadas de seus inúmeros gatos. No mais, um abração.
ResponderEliminarUm retrato belíssimo e comovente do que pode, deve ser a vizinhança, como meio de entretecer vidas e amizades. E como se sofre quando essa vizinhança se vai para sempre...
ResponderEliminarTambém nós somos vizinhos dos outros
ResponderEliminarmemórias partilhadas
Minha querida Rosinhamiga🌹
ResponderEliminarRetratar uma solidão é sempre triste quiçá mais para a fotógrafa📸 do que para a pessoa só ou a casa vazia. Porque é ela que tem de calibrar a objectiva ou seja ser ela própria objectiva abdicar de emoção para que a imagem fique tão perfeita quanto seja possível, mas emocionar-se q.b. perante a sensação dessa solidão.
E tu, querida Amiga consegues o milagre (se é que eles existem e por vezes dou por mim a pensar que pode ser que talvez existam...) de fotografar a solidão e revelar-nos a foto belíssima que obtiveste. E que bem focaste. Sobretudo as rosas🌹🌹🌹 da casa do lado. Por isso muito obrigado.
Já to disse e tenho muito prazer em repeti-lo: estou muito feliz por teres voltado.
Muitos qjs 😙😙😙deste teu velho amigo de sempre
Henrique, o Leãozão🦁
PS - CONVITE: Volta a dar uma volta pelo meu barraco que agora é o http://anossatravessa.blogspot.pt. E não te esqueças de fazer como antes fazias: comenta! É uma ordem!!!!!!
Que bela e triste descrição do poder do tempo e da memória...
ResponderEliminarPalavras que apertam o coração, mas que só existem onde antes existiu amor, zelo e alegria.
Beijos,
Daniela
Amigos que partem, palavras que ficam, imagens confrangedoras. Estou... farta, de ausências, de partidas, de silêncios (in)cómodos, de casas fechadas, de mentes sem memória. Ficam... as rosas, dos ventos e dos pensamentos.
ResponderEliminarEsta memória é linda e tão amigável, se há estrelas com almas, ou almas com estrelas, sorrirão às flores do portão para lado nenhum!
Obg RV!
Boa tarde:- Visitando e gostando muito de ler. A melancolia como companheira da alma.
ResponderEliminar.
Cumprimentos
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……………Poema de hoje ………………….
*** Labaredas que aquecem o nosso coração ***
Estou a um tempinho aqui lendo suas postagens procurando sentir cada detalhe dos seus dias anteriores _ percebo que estivestes ausente e cada um de nós vez ou outra se ausenta uns muito tempo outros voltando devagar,(assim como eu).E,alguns por tempo infinito como o nosso amigo Carlos_excelente jornalista que gostava de opinar sobre politica e sobre a vida. E, partiu para sempre, mas amigos que nem conheceu mas amava compartilhar conversas com ele.Um gentleman ele era!
ResponderEliminarTao lindos seus textos, parece que tem alma neles _ muito lindos!
Obrigada por oportunizar essa vinda minha aqui na sua página. Vemo-nos sempre por aí, mas ja faz um tempinho que estávamos caladas :))
Um grande abraço Rosa e apesar do grande oceano que nos separa ,nao temos muros ok? que tal trocarmos palavras e figurinhas já que nao teremos figos nem pessêgos ... rs
Fica bem, bons dias !
A rua aqui descrita é real, mas também aqui na rua virtual deste blogobairro, algumas casas vão ficando vazias. Fico um pouco como a Teresa (Ematejoca) a lembrar-me de alguns vizinhos que se foram...
ResponderEliminarÉ bom ler.te.
ResponderEliminarAs recordações quando são boas minoram um pouco as saudades...
Beijinho, sonhos bons
ResponderEliminarResta aos "três de lá" voltar a soprar vida para essa casa que tem móveis, cortinas, etc, mas está sem vida.
Como sei o que é depararmos-nos com isso.
Dá-se valor e percebe-se o que sempre teve valor. Afinal, não era a casa, não eram as paredes nem os bens materiais. Era a VIDA e as pessoas que faziam a casa, não o contrário.
ResponderEliminarÉ impossível não sentir nostalgia depois de ler este teu texto. Também a casa de meus pais está como essa que tu descreves e, apesar de saber que é impossível mudar alguma coisa, custa-me sabê-la assim.
Se calhar o sentimento dos filhos desse casal teu vizinho sinta a mesma dor que eu sinto ao ver a casa dos pais abandonada... mas há voltas da vida (e da morte) que não podemos modificar.
Sabe tão bem ler-te de novo... :)
Mil beijinhos enfeitados com 🌹
(^^)