Hoje servi de taxista/acompanhante de uma familiar que se encontra bastante doente e é tratada na Fundação Champalimaud.
Fiquei siderada com a grandiosidade e funcionalidade das instalações, desde os corredores, às salas de espera, tudo com ar muito "clean", sofás muito confortáveis, em vários cantos carrinhos de apoio com bebidas quentes, sandes, bolos...nas mesas de apoio jornais e revistas.
A sala de tratamentos, onde os doentes têm total privacidade, cada recanto com uma televisão...que não ligámos, dá para um jardim interior cheio de palmeiras cujos troncos se iluminaram com o cair da noite, transformando aquele espaço num cenário de filme.
O pessoal é de uma enorme eficiência e gentileza e o tratamento, uma transfusão de sangue decorreu dentro da normalidade possível.
Mas não foi para vos falar desta fundação que decidi escrever.
Quando chegámos, a minha familiar disse na recepção que a enfermeira E. estava à sua espera, indicam-lhe o local onde ela estava e lá seguimos. Quando chegámos e ao vê-la de costas perguntei à funcionária que nos acompanhava se ela tinha vindo do HSM, a jovem disse que não sabia, eu não resisti e chamei:
- Enfermeira E.!
Ela virou-se, corremos ao encontro uma da outra e abraçámo-nos com lágrimas nos olhos!
A enfermeira E. tinha sido o anjo da guarda do meu filho mais velho durante os dezasseis meses que durou a doença que lhe roubou a vida há 8 anos!
Por estranha coincidência, foi no dia 13 de Dezembro de 2004 que ele ficou internado no HSM donde já não saiu com vida!
Conversámos depois com um sorriso nos lábios, lembrámos o seu bom humor, a resistência à dor, a proximidade física e afectiva que havia entre os vários doentes que faziam tratamento numa sala diminuta, onde dois médicos e uma enfermeira se acotovelavam e andavam numa roda viva. Acrescentou ainda que o serviço tinha sido transferido para outro hospital e que ela, prevendo estas alterações, tinha mandado o currículo para a fundação, entrando imediatamente.
Lembro-me vezes sem conta da enfermeira E., do seu lindo sorriso para todos, do doutor R. que agora está no Pulido Valente, depois duma vida inteira de entrega ao HSM e que tudo fizeram para aliviar o sofrimento do meu filho e de todos os que passaram por aquele serviço!
Fui muito além das minhas habituais reduzidas linhas mas para mim foi como se fosse uma história de Natal!
Agora a enfermeira E. é o anjo da guarda da minha familiar!