segunda-feira, novembro 19, 2012

As Palavras



Foi este o último filme que vi.
À maneira das matrioshkas, as célebres bonecas russas, o filme vai-nos apresentando várias histórias que se vão encaixando e desencaixando à medida que, pelo menos, três narradores as vão contando.
O tema do filme gira à volta da criação literária e da capacidade ou da ausência dela no uso das palavras na construção de uma obra digna de ser editada.
Tendo-se apropriado indevidamente de um manuscrito, encontrado numa velha pasta de cabedal comprada num antiquário em Paris, a personagem principal de uma das histórias, escritor de sucesso após a publicação do mesmo sem qualquer alteração, incluindo o nome, "Window Tear", (salvo erro), acaba por ser confrontado com esse roubo pelo seu autor, um velho interpretado por Jeremy Irons e, após alguma reflexão, decide confessar publicamente o seu delito no que é impedido, entre outros, pelo próprio autor que à laia de conclusão lhe diz:
"Todas as pessoas fazem as suas escolhas, o problema é ter que viver com elas!"
Não digo que seja um filme espantoso mas vê-se muito bem e faz-nos reflectir sobre o processo doloroso da escrita, o sucesso/insucesso e as escolhas que podem conduzir a uma vida desencantada.
Jeremy Irons, actor que muito aprecio, surge-nos muito bem no papel de "old man" graças à excelente caracterização e não só porque o tempo passa inexoravelmente...

sexta-feira, novembro 16, 2012

segunda-feira, novembro 12, 2012

Os jogadores de cartas

"Os Jogadores de Cartas" de Paul Cézanne


Só a chuva os consegue arrancar da pracinha frente ao prédio onde habito em part-time, em Lisboa.
Com sol, com calor, com frio, mesmo com nevoeiro, desde que não chova aí estão eles, os jogadores de cartas, a ocupar as duas mesas de ferro com quatro cadeiras cada uma e à sua volta, pelo menos, meia dúzia de observadores destes jogos intermináveis.
A maioria são homens de idade mas também os há mais jovens.
Reformados, desempregados? 
Certamente! Mas sobretudo desocupados.
O que farão quando chove?

sábado, novembro 10, 2012

Céu azul com algumas nuvens


Pelo menos já recomecei a fazer alguns comentários!
O sol está a ajudar!

segunda-feira, novembro 05, 2012

Em descanso


Ainda em descanso!

terça-feira, outubro 30, 2012

Intercâmbio de coros

Pela data da foto podem verificar que eu, nesta data, estava em Barcelona com o meu coro onde fomos recebidos pelo Cor Gregal de Lluïsos de Gràcia desta cidade.


De 1 a 4 de novembro será a nossa vez de recebermos este coral e retribuirmos a hospitalidade com que fomos recebidos.
Farão um concerto na Sé Colegiada de Ourém e outro em Tomar na sede do Canto Firme, outro coral com o qual temos óptimas relações de vizinhança.


Aqui, numa foto nada formal, encontram-se alguns coralistas do Chorus Auris e do Coral Gregal quando fomos actuar a Monserrat.
Como devem calcular a organização de um intercâmbio deste género envolve uma logística complicada tanto mais que serão recebidos em nossas casas e, como vivemos num meio muito pequeno depressa esgotamos os principais pontos de interesse, assim  levaremos o grupo a visitar Tomar e o seu Convento, as grutas de Mira d´Aire e o Mosteiro da Batalha  que  será visto com muito agrado por parte dos nossos amigos catalães uma vez que aí se assinala a vitória do exército português comandado pelo Condestável sobre os castelhanos (espanhóis) que eles não suportam.  Ainda conhecerão alguns aspectos de Lisboa no dia da partida.
Estes dias serão de grande azáfama na receção do grupo em geral e do casal que vou receber em particular.
Estamos a desenvolver todos os esforços para que fiquem com boas recordações nossas como nós ficámos deles mas parece que S. Pedro não nos irá ajudar!
Com tudo isto despeço-me de vós por alguns dias e desejo a todos um Dia do Bolinho muito doce!
Há que gozá-lo em pleno porque para o ano já não o teremos graças às tolas opções deste (des)governo! 

domingo, outubro 28, 2012

Cronos



Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem; outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro,
Vêem o que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto -
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.

Ricardo Reis

O conceito horaciano de carpe diem sempre tão presente na poesia do heterónimo de Pessoa, Ricardo Reis, a deixar-me com uma estranha sensação de viver num tempo suspenso tal como este relógio na parede amarela da minha cozinha!

quinta-feira, outubro 25, 2012

Se...



Se no meu jardim as rosas vão resistindo às intempéries do tempo por que razão eu não hei-de resistir às intempéries da vida e às angústias do espírito?

sábado, outubro 20, 2012

A Avó


                                                                   (imagem da net)

Tinha ao colo o gato velho                     
cansadamente passando
a sua branca mão pelo
pêlo dele preto e brando

Sentada ao pé da janela
olhando a rua ou sonhando-a
todo o passado passando
a passos lentos por ela

Dormiam ambos enquanto
a tarde se ia acabando
o gato dormindo por fora
a avó dormindo por dentro.

Manuel António Pina


Nota: Ontem quando ouvi a notícia da morte de Manuel António Pina nem queria acreditar!
          Já tinha dada pela falta das suas belas crónicas no DN mas nem sabia que estava tão doente.
          Deixa-nos demasiado cedo e ainda com muito para nos contar.
          Escolhi este poema porque sei que ele adorava gatos, aliás nas suas fotos aparece inúmeras vezes 
          com eles ao colo ou por perto.
          Como também gosto destes animais tão enigmáticos foi uma forma de lhe prestar a minha sentida        
          e sincera homenagem

quarta-feira, outubro 17, 2012

Comunicado

Na frente ocidental nada de novo.
O povo
Continua a resistir.
Sem ninguém que lhe valha,
Geme e trabalha
Até cair.

Miguel Torga

Coimbra, 18 de Abril de 1961

Nota: Quem diria que voltávamos ao mesmo?