terça-feira, janeiro 16, 2007

Retrato ao fundo do quintal

Moram ao fundo do quintal entre uma pereira, uma nogueira e um muro pintado de branco.
O mais velho olha em frente, com postura de patriarca. A sua companheira de tantos anos, a seu lado, repousa uma das mãos sobre o ventre, no jeito de quem protegeu muitas maternidades.
Os mais novos rodeiam o casal e encaram a objectiva com sorrisos fraternos e olhares confiantes num futuro que não adivinham.
São onze e serão sempre onze, aconteça o que acontecer!
Moram ao fundo do quintal e assim ficarão para sempre eternizados dentro de uma moldura!

domingo, janeiro 14, 2007

Então imagine!



Num domingo cinzento e frio, sem chocolates em casa, aqui fica a bela imagem da pág.51 da Pública de hoje e que tem a seguinte legenda:

Chocolate, vinho, café, mel e leite. Imagine que, sabores que fazem perder a cabeça, eram seus aliados na beleza e no bem-estar!

Então imagine!

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Bruma

Não!
Não é tristeza
Nem melancolia
É uma agonia
Esta quase certeza
Que me não resta
Nem mais um dia
De plena alegria
De festa.

Como travar isto,
Esta sensação,
Suspensa na bruma
Entre o nada e coisa nenhuma?

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Paisagem com rio ao fundo...

Na breve colina uma casa branca, de barra azul, com uma porta, duas janelas e um alpendre.
No alpendre vasos com sardinheiras vermelhas e duas cadeiras.
Nas cadeiras ninguém sentado a olhar o rio que serpenteia, ao fundo, na planície de veludo verde.

terça-feira, janeiro 09, 2007

A Avó

Tinha ao colo o gato velho
cansadamente passando
a sua branca mão pelo
pêlo dele preto e brando

Sentada ao pé da janela
olhando a rua ou sonhando-a
todo o passado passando
a passos lentos por ela

Dormiam ambos enquanto
a tarde se ia acabando
o gato dormindo por fora
a avó dormindo por dentro


Manuel António Pina, in " Os Livros "

domingo, janeiro 07, 2007

Pelo Natal, salto de pardal!


Pelo Natal, salto de pardal! - diz o povo, em relação ao aumento da claridade.
Com esta imagem de fraca qualidade e de beleza relativa pretendo demonstrar o ditado popular.
Foi tirada da minha varanda no dia 4 de Janeiro, às 17 h e 30 m.
Há uns dias atrás ainda era de noite, por esta hora!

sábado, janeiro 06, 2007

Talvez ao cair da tarde em Monte do Trigo

Tarambolas


Trazem Janeiro em seu piar tristíssimo
sobre Monte do Trigo
ao fim do dia.

A noite cai-lhes das asas
e a nostalgia.


Manuel Alegre, in Alentejo e Ninguém (Caminho)



sexta-feira, janeiro 05, 2007

Ainda bem que não sou espanhola...


Se fosse espanhola corria ainda pelas "calles", feita tolinha, à procura dos últimos presentes, para oferecer amanhã, dia de Reis ( os tais magos que trouxeram ouro, incenso e mirra ao Menino).
Como sou portuguesa e com um espírito natalício muito débil, de há uns tempos para cá, já encaixotei o Natal.
Neste canto da lareira estava esta espécie de árvore que se manteve intacta, sem qualquer ataque dos felinos que estão à sua volta. Os verdadeiros também se portaram à altura.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Fui às pinhas!

Foi a 1ª grande decisão deste ano!
Levantei-me cedo e fui às pinhas. Sabia bem que nesta época do ano não há pinhas.
Mas se a maioria dos blogues que visitei nestes últimos dias me falavam de esperança por que razão eu não iria encontrar pinhas?
E não é que as encontrei mesmo!
Enfezadas, fechadas ou já quase desfeitas mas eram pinhas.
Claro que também encontrei muito lixo pelos pinhais - garrafas e sacos de plástico, sobretudo.
Continuamos a ser um povo com um conceito de cidadania muito abrangente.Onde vamos deixamos a nossa marca de "cidadãos".
Apesar de tudo valeu a pena porque, de facto, a esperança de encontrar pinhas concretizou-se, enchi um caixotinho delas, andei a pé e respirei o ar matinal e lavado dos campos orvalhados!
Nota: A opção pelo verde tem a ver com os pinhais e com a esperança, como é óbvio!

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Começa hoje o ano



Nada começa: tudo continua.

Onde 'stamos, que vemos só passar?

O dia muda, lento, no amplo ar;

Múrmura, em sombras, lui a água nua.

Vêm de longe,

Só nosso vê-las teve começar.

Em cadeias do tempo e do lugar,

É abismo o começo e a ausência.

Nenhum ano começa. É Eternidade!

Agora, sempre, a mesma eterna Idade,

Precipício de Deus sobre o momento,

Na curva do amplo céu o dia esfria,

A água corre mais múrmura e sombria

E é tudo o mesmo: e verbo o pensamento.

Fernando Pessoa

Nada começa - tudo continua! Não uso agendas nem calendários em casa. Uso poemários e a única alteração está no Poemário. O do ano passado foi para o arquivo do sótão e o deste ano foi aberto no dia 1 - é precisamente este o 1º poema de 2007.