Às vezes julgo ver nos meus olhos
A promessa de outros seres
Que eu podia ter sido,
Se a vida tivesse sido outra.
Mas dessa fabulosa descoberta
Só me vem o terror e a mágoa
De me sentir sem forma, vaga e incerta
Como a água.
Sophia de Mello, in Poesia
quarta-feira, outubro 18, 2006
segunda-feira, outubro 16, 2006
Dia de Chuva
Chove torrencialmente!
Por falta de um adequado sistema de escoamento temos menos sorte do que o povo eleito na travessia do Mar Vermelho. Ou encharcamo-nos ou encharcamos os outros!
Entretanto, para animar, como todas as segundas-feiras, espera-me um almoço de trabalho na companhia de dois bons amigos. E é sempre bem divertido embora só bebamos água.
O pior é o resto da tarde que é também de trabalho mas não com amigos, apenas com conhecidos!
Para terminar, e a propósito de chuva, aqui vai mais uma do livro A Tertúlia dos Mentirosos:
" Um homem - conta uma tradição chinesa - caminhava lentamente à chuva.
Um outro que ia a passar depressa perguntou-lhe:
- Porque não andas mais depressa?
- Lá à frente também chove - respondeu o homem."
domingo, outubro 15, 2006
Quentes e Boas

No final de Agosto, nos arredores de Celorico da Beira, os castanheiros estavam assim cobertos de ouriços de um lindo tom amarelado. Lá dentro, as castanhas ultimavam a sua maturação.
Neste fim-de-semana, na rua principal da minha cidade, apareceram os homens das castanhas com os seus carrinhos bem característicos. Elas , de um cinzento prateado, exalavam um cheiro de Outono e, no ar, o fumo ajudava a pintar o quadro.
Contudo não cheguei a prová-las...
sábado, outubro 14, 2006
O Tâmega em Amarante
quinta-feira, outubro 12, 2006
Grande Mulher
Duas semanas depois de ter conquistado, em Pequim, a Taça do Mundo de Trialto, Vanessa Fernandes sagrou-se, no passado fim-de-semana em Turim, campeã europeia de Dualto.
Ontem, na Polónia, a selecção nacional vestiu-se de luto, por antecipação.
Ontem, na Polónia, a selecção nacional vestiu-se de luto, por antecipação.
quarta-feira, outubro 11, 2006
O mar e a serra
" Homme libre, toujours tu chériras la mer "
Charles Baudelaire
Sou uma jangada à deriva na serra!
Charles Baudelaire
Sou uma jangada à deriva na serra!
terça-feira, outubro 10, 2006
Tertúlia dos Mentirosos
Recebi, há já alguns anos, das mãos do meu filho mais novo, um livro de contos filosóficos do mundo inteiro intitulado Tertúlia dos Mentirosos.
" São contos engraçados, graves ou as duas coisas, ao mesmo tempo. São, por vezes, ambíguos, desconcertantes e, até inquietantes.
Parecem-se connosco."
Como não me canso de reler algumas dessas estórias aqui vai uma, das mais pequenas, para não cansar os eventuais visitantes.
"Como tivesse perdido o seu burro - conta uma história turca - Nasreddin Hodjâ mandou proclamar por toda a cidade que daria o animal a quem lho trouxesse, ainda por cima com a albarda e a cabeçada.
E como alguém se admirasse de ele prometer assim dar o seu burro a quem lho trouxesse, não vendo o que ele tinha a ganhar com a promessa, Nasreddin respondeu:
_ Achas então insignificante a alegria de encontrar uma coisa oerdida?"
" São contos engraçados, graves ou as duas coisas, ao mesmo tempo. São, por vezes, ambíguos, desconcertantes e, até inquietantes.
Parecem-se connosco."
Como não me canso de reler algumas dessas estórias aqui vai uma, das mais pequenas, para não cansar os eventuais visitantes.
"Como tivesse perdido o seu burro - conta uma história turca - Nasreddin Hodjâ mandou proclamar por toda a cidade que daria o animal a quem lho trouxesse, ainda por cima com a albarda e a cabeçada.
E como alguém se admirasse de ele prometer assim dar o seu burro a quem lho trouxesse, não vendo o que ele tinha a ganhar com a promessa, Nasreddin respondeu:
_ Achas então insignificante a alegria de encontrar uma coisa oerdida?"
domingo, outubro 08, 2006
Poema Perdido
Porque eu trazia rios de frescura
E claros horizontes de pureza
Mas tudo se perdeu ante a secura
De combater em vão.
E as arestas finas e vivas do meu reino
São o claro brilhar da solidão.
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Coral
E claros horizontes de pureza
Mas tudo se perdeu ante a secura
De combater em vão.
E as arestas finas e vivas do meu reino
São o claro brilhar da solidão.
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Coral
sexta-feira, outubro 06, 2006
SOS - ADSE
O meu sub-sistema de saúde é a ADSE.Hoje fui fazer análises de acordo com as instruções da minha cardiologista.
Paguei a módica quantia de 25 euros e 1 cêntimo, quando anteriormente pagaria 6 euros e 65 cêntimos.
Como vou começar a descontar mais para a ADSE sofro um duplo aumento! E comigo milhares de funcionários públicos que, no caso dos professores, por exemplo, têm as carreiras congeladas.
Entretanto a fuga aos impostos por parte dos privados e o desperdício do Governo Central e da maioria dos Municípios continua!
Mas o que é isto?!
Paguei a módica quantia de 25 euros e 1 cêntimo, quando anteriormente pagaria 6 euros e 65 cêntimos.
Como vou começar a descontar mais para a ADSE sofro um duplo aumento! E comigo milhares de funcionários públicos que, no caso dos professores, por exemplo, têm as carreiras congeladas.
Entretanto a fuga aos impostos por parte dos privados e o desperdício do Governo Central e da maioria dos Municípios continua!
Mas o que é isto?!
quarta-feira, outubro 04, 2006
Ah doce e enganador Outono!
O Outono doce, dourado, das vindimas, do cheiro a mosto, a castanhas assadas, das nuvens sulcando os céus, feitas gaivotas, canoas, carruagens de contos de fadas puxadas por golfinhos, fiapos de algodão é um enganador.
Sai uma pessoa de casa, com um cenário de agradável doçura, de roupa leve, o sol ainda quentinho e volta encharcado até aos ossos e a espirrar sem parar.
Sai de casa debaixo de um vendaval, de kispo, chapéu-de-chuva, quiçá de botas e regressa afogueado, suado, com o kispo desastradamente debaixo do braço e sem chapéu-de-chuva que, entretanto, foi largado em qualquer lado.
Ah doce e enganador Outono!...
Sai uma pessoa de casa, com um cenário de agradável doçura, de roupa leve, o sol ainda quentinho e volta encharcado até aos ossos e a espirrar sem parar.
Sai de casa debaixo de um vendaval, de kispo, chapéu-de-chuva, quiçá de botas e regressa afogueado, suado, com o kispo desastradamente debaixo do braço e sem chapéu-de-chuva que, entretanto, foi largado em qualquer lado.
Ah doce e enganador Outono!...
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