quarta-feira, setembro 13, 2006

Apenas uma casa...

Apesar da teimosia diária do dono que não desiste de abrir portas e janelas, do jardim que continua a florir, da cerejeira e da ameixoeira que continuam a dar os seus frutos, da parreira que dá pouco mais do que sombra e de três gatos que lá vivem, o silêncio sobrepõe-se a tudo!
Já não é um lar, é apenas uma casa...

terça-feira, setembro 12, 2006

Prémios para os melhores professores!

Eu nem queria acreditar!
O nosso Primeiro acabou de afirmar, num dos canais de televisão, tendo ao lado a sereníssima ministra da tutela, que para o ano os melhores professores terão um prémio!
Toca a começar a trabalhar para o prémio, em vez de andarem a queixar-se!

segunda-feira, setembro 11, 2006

11 de Setembro

E o 11 de Setembro de 1973, no Chile?
Será que os USA não tiveram nada a ver com essa tragédia?
Claro que lamento, profundamente, quer um, quer outro 11 de Setembro!

domingo, setembro 10, 2006

Gato que brincas na rua


Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu,
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa

O Douro visto de Galafura


Do miradouro de Galafura, onde se encontra a capelinha de S.Leonardo, foi assim que o meu olhar extasiado viu o Douro, muito recentemente.
Uma fita azul debruada a verde já com alguns traços de Outono.
Miguel Torga apresentou-nos, no belo poema S.Leonardo de Galafura, esta região "por um lado paisagisticamente ímpar, por outro, como resultado do trabalho insano de gerações e gerações de homens." ( Estas são as palavras de um outro poeta do Douro, A.M. Pires Cabral ao receber o Prémio D. Dinis da Fundação da Casa de Mateus, nestes dias de festejos dos 250 anos da primeira Região Demarcada do mundo.)

sexta-feira, setembro 08, 2006

Os espíritos regressaram

Há muito tempo que não ouvia o tilintar do espanta-espíritos que se encontra estrategicamente pendurado na minha varanda e começava a estar preocupada.
Pensava mesmo que ele tinha perdido a validade ou que os espíritos tinham desistido de me visitar.
Hoje voltei a ouvir esse tilintar tão característico e pude concluir que, afinal, tinham estado de férias!

terça-feira, setembro 05, 2006

Paralelismo

Ao longo dos anos, a minha mãe foi guardando tudo o que era retalho de tecido dos mais variados padrões, texturas, cores e tamanho. Com eles fazia paninhos de tabuleiro, saquinhos, pequenos "naperons" para os cestos de pão que, no Natal, serviam de presentes para as mulheres da família e as amigas.
Ao longo dos anos, tenho guardado tudo o que é revista, artigo de jornal, apontamentos de todas as espécies ( de colóquios, acções de formação, debates), trabalhos realizados no âmbito de estágios meus e alheios, de frequência de especializações, de pós-graduações, enfim toneladas de papel dentro da minha área profissional!
Há dias foi tudo para a reciclagem!

segunda-feira, setembro 04, 2006

Último acto em Lisboa

Este é o título de um policial publicado pela Gradiva, sendo o seu autor Robert Wilson.
O livro é bastante interessante e um dos encaixes narrativos passa-se durante a Segunda Guerra Mundial ente Portugal e a Alemanha.
Um pequeno extracto para aguçar a curiosidade:
"- Sim, sim, nós sabemos - disse Hanke. - A nossa Legação em Lisboa vai ter de persuadir Salazar de que a Alemanha merece a parte de leão do volfrâmio "livre" antes dos Ingleses.
- Vou continuar a comprar e a passar contrabando - disse Felsen - , mas daqui em diante as grandes quantidades vão ter de ser negociadas nos gabinetes de Lisboa, e não nos campos da Beira. Só que isso vai levar tempo...
- Porquê?
- Pergunte ao Poser. Ele considera Salazar o maior vigarista da história desde Napoleão."

domingo, setembro 03, 2006

Festa com um rio ao fundo

Pela primeira vez fui à Festa!
O dia estava esplendoroso, o rio ao fundo de um azul brilhante, os milhares de pessoas movimentavam-se em todos os sentidos na busca dos seus programas favoritos.
Gostei da diversidade da música, do cinema, da animação nas ruas, da gastronomia, do artesanato nacional e internacional, da Feira do Livro, do convívio com pessoas das mais diversas origens.
Mas gostei, sobretudo, de ter passado um dia sem que o olhar mesmo à beira de água não se enchesse de mágoa!

sexta-feira, setembro 01, 2006

Encontrar Tânger

"A falta de iluminação esconde os pontos de referência habituais, e Tânger é isto mesmo: uma ausência inquietante de pontos de referência.Não pode haver certezas num cacho de casas levitando sobre dois mares e dois mundos, um pé no Oriente, outro no Ocidente.Tânger já não é Marrocos, não é sequer África, naturalmente ainda não é Europa, não é um porto atlântico, mas também não é uma cidade mediterrânica.
Tânger foge às definições, aos lugares- comuns das cidades e das gentes que as habitam. A única certeza dá-a, com ar malandro, um vendedor, sabe-se lá de quê, numa viela da medina:" Amigo, se procuras algo, é certo que em Tânger encontras."

Gonçalo Cadilhe, in A Lua Pode Esperar


Nota:
Para aguçar o apetite a quem ainda não foi de férias.